O Rotaract precisa se reinventar URGENTEMENTE


ATENÇÃO: Este texto não reflete, necessariamente, os pensamentos, opiniões e visões dos demais integrantes do Rotaract Club de São Paulo Aliança Lapa.

No mundo de Rotary o programa de Rotaract surgiu para “oxigenar” seu programa-pai. Foi uma forma encontrada para engajar os jovens e, assim, manter novos membros entrando para o Rotary!

Rotaract foi além, mostrou-se um programa capaz de ter independência, ações próprias e por vezes mais “mobilizadoras” (do ponto de vista do engajamento de pessoas “comuns”) do que as de Rotary. Isso não é bom nem ruim, são complementares, claro, ainda mais pq o objetivo de todas é um só: Promover a paz mundial por meio da integração entre povos.

O programa, porém, com o passar dos anos e a forte mudança da sociedade, chegada de novas tecnologias, novas formas de se relacionar e de se desenvolver mobilizações, foi ficando pra trás. Não que o Rotary tenha fechado seus olhos para ele, pelo contrário; porém o Rotaract foi fazendo aniversário e o peso da idade foi chegando….

Diferente do que acontece com pessoas, empresas e ONGs podem passar por um processo de rejuvenescimento bem forte e efetivo. Isto garante que elas voltem a se adequar as demandas atuais da sociedade, voltem a despertar o interesse dos consumidores e sociedade civil. Isso faz com que mantenham a venda de produtos ou entrada/participação de pessoas em alta. Mas com o rotaract não tem sido bem assim…..

É difícil (e eu tentei bastante) conseguir números do programa via Rotary. Ninguem tem histórico de associados, clubes em funcionamento ou desligamentos. Será este um primeiro indício do que digo aqui? Estamos na era 2.0, alguns falam em 3.0. Estamos hiperconectados, antenados em tudo, temos todas e quaisquer informações a hora e aonde estivermos, menos os números de sócios e clubs de rotaract…

O último dado oficial de Rotary Internacional que consegui encontrar diz que em setembro de 2010 tínhamos 8.383 clubes de Rotaract no mundo com 192.809 associados.

Independentemente disso, paira no ar sempre uma mesma certeza: As pessoas que levam os clubes, distrito e a organização pra frente, são sempre as mesmas! Existem inúmeras iniciativas de se organizar e melhorar rotaract, mas nenhuma efetiva, eficaz e eficiente (conhece estas três palavrinhas de algum lugar?). Vão surgindo novas ideias, difíceis de se gerir, que criam estruturas complexas e nada funcionais.

Preocupamo-nos em levar o nome adiante, mas estamos esquecendo de estruturar e manter as bases sólidas e fixas. Estamos esquecendo de fazer a lição de casa, rever estatutos e regimentos, usar vídeos, de nos “oxigenar”. Desta forma continuamos a usar de maneira errada as redes sociais, continuamos nos esforçando MUITO para comunicar coisas que não chegam aos olhos ou ouvidos de ninguém fora do círculo de Rotaract…. batemos sempre na mesma tecla.

Queremos MUITO ser Rotary, e este é o objetivo; mas estamos nos esquecendo de ser JOVENS DO ROTARACT!

Precisamos nos reinventar urgentemente! Precisamos criar formas de brilhar aos olhos dos jovens e crianças, precisamos nos tornar objeto de desejo, falar a lingua deles e o que eles querem escutar; o que NÓS QUEREMOS ESCUTAR! Não estou defendendo uma elitização do rotaract. E nem elitização significa apenas pessoas com dinheiro, significa  também poder nas mãos de poucos! O que defendo é que precisamos nos movimentar para trabalhar valores básicos da forma correta. Debater ética é MUITO chato; como então tornar isto agradável? Estamos realmente aplicando a prova quádrupla e trabalhando pela e para a comunidade ou estamos usando a máquina para nosso benefício? Treinamentos de liderança são fundamentais, mas estamos mesmo nos tornando líderes em nossas comunidades? Comunidades FORA de Rotaract? Tem certeza?

Nos falta rejuvenescer, sermos especialistas em engajar pessoas e MANTÊ-LAS engajadas. Precisamos ser jovens, falar com jovens, fazer coisas de jovens, da maneira que jovens as fazem. Precisamos nos organizar de forma conjunta, repensar o volume e número de eventos que criamos em nossos clubes e no distrito. Repensar se o que estamos criando de novos níveis e hierarquias são necessários e complementares  aos que já existem. Precisamos diminuir a nossa dedicação ao programa para levar o programa à comunidade.

Para mim, como defendi em meu discurso de posse, precisamos encontrar um equilíbrio entre a vida pessoal, profissional e rotaract; só desta forma é que conseguiremos levar o programa para o nosso dia a dia, para além dos mundos de Rotary e Rotaract!

Pedro Prochno é presidente do Rotaract Club de São Paulo Aliança Lapa (2011-2012). Foi vice-presidente das gestões 09-10 e 10-11; diretor de Imagem pública das gestões 08-09, 09-10 e 10-11 e diretor de imagem pública do distrito 4610 na gestão 10-11. Foi ainda intercâmbista pelo PIJ do Rotary em 03-04 nos EUA (NY), diretor de outbounds do Rotex São Paulo (06-07), Presidente do Rotex São Paulo (07-08) e conselheiro do grupo desde então.

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17 respostas para O Rotaract precisa se reinventar URGENTEMENTE

  1. Amilton disse:

    Muito bom, Parabéns!

  2. Olá Companheiro concordo em quase tudo, somente discordo que discutir ética é muito chato, pois é dos meus prazeres, contudo entendo que é chato porque não nos foi ensinado a pensar, ou elaborar uma linha de raciocínio, basta ver nas escolas em sua grande maioria, não é incentivado um debate sobre um assunto, qualquer que seja ele. Assim elaborar uma ideia, mas principalmente embasá-la torna-se o complexo. Discutir Ética na nossa civilização vai além de ser chato, é algo necessário, basta ver a quantidade de escândalos de representantes políticos nas 3 esferas tanto o executivo, quanto o legislativo e também judiciário, e o pior nada se faz a respeito. Talvez dia 07 de setembro, deste ano, tenha sido um marco, pois iniciou um movimento de indignação popular contra a corrupção, contudo não tem quorum suficiente devido a grande aceitação dessas atitudes, basta ver quando passamos a nos corromper por pouco como um trocado da padaria. Aí é a raiz do problema, como não discutir ÉTICA, se o Rotary deveria ser Ético, e como iremos manter pessoas no Rotaract se não formos éticos? A discussão é longa, mas precisamos nos reinventar URGENTEMENTE sem deixarmos de ser éticos, e isso é pra ontem, também teoricamente quem está no Rotaract deveria zelar por esse valor e ser pró-ativo, E AÍ COMEÇAMOS QUANDO???

    Rotaractianamente
    Alexandre Moschen Ortigara

    • Pedro Prochno disse:

      Alexandre, obrigado pelo seu comentário.

      Debate ética é chato sim! Sabe pq? Ética é uma coisa pra mim e outra para você. Ética, diferente do que muitos defendem, é algo subjetivo! É uma discussão longa, por isso pergunto como tornar isto agradável.

      A prova quádrupla está aí para nos auxiliar na linha ética que devemos seguir mas, infelizmente, alguns rotarianos e rotaractianos acabam se esquecendo dela, não é mesmo?

      Obrigado pela sua visita.

      Abraços

      Pedro Prochno
      @prochno

  3. Kelly Reis disse:

    OI Pedro!!

    Você falou exatamente o que estava rondando minha mente, mas eu não conseguia identificar.
    Concordo plenamente que o Rotaract precisa se renovar urgentemente!!

    A mudança é o básico para a renovação, mas para que ela ocorra é preciso ter coragem e humildade. Coragem para enfrentar as resitências que aparecerão e humildade para saber que sempre podemos melhorar e aprender uns com os outros.

    Gostei muito do post nomeiou a sensação que eu não conseguia explicar!!
    Agradeço *–*

    Abraços

    Kelly

  4. Pedro,
    Muito bom seu texto. Precisa mesmo ser reinventado. Ou quem sabe voltar aos reais motivos que o Rotary e, consequentemente, o Rotaract foram criados.
    É só ver como os dois programas funcionam fora do Brasil. Eu, intercambista de Rotary duas vezes, sei muito bem dessa diferença. Acredito que você também, pois também fez o intercâmbio e viu que nos EUA as pessoas antes de qualquer reunião, proclamam em voz alta a prova quádrupla. Existe um espírito de união e amizade muito forte. Isso vale também para o Rotaract, que normalmente é baseado em Universidades, onde o estudante que acaba de entrar não conhece ninguém, está fora de sua cidade e acaba criando um circulo verdadeiro de amizade. Claro que existem diversas particularidades que não existem aqui. Mas o que mais percebi pelo tempo que fiquei no Rotaract é que a gente precisa de 2 coisas para gostar de participar do clube:
    – Amizade forte com os outros sócios.
    – Reuniões e atividades em horários que ainda permitam você manter outras atividades sociais.

    Quando nenhuma dessas coisas acontecem, o programa se torna chato e previsível. Aí qualquer outro compromisso se torna mais importante.
    Foi o que aconteceu comigo. Talvez se eu tivesse entrado no clube logo que entrei na faculdade, a amizade teria sido muito mais forte. A idade das pessoas parecidas. O momento profissional também. E minha disponibilidade para o programa teria sido maior.

    Acho que é questão mesmo de unir pessoas em momentos bem parecidos na vida, o que vai gerar maior afinidade e, consequentemente, maior amizade. E é disso que o Rotary sobrevive.

    Abraços

  5. Pedro, parabéns por traduzir em palavras o que muitos rotaractianos (e talvez alguns rotarianos) pensam.
    Precisamos ser um exemplo de atitude para os outros jovens e para a sociedade, mas qual o caminho? Ninguém sabe. Só tentando, dando a cara a tapa, aprendendo com os erros…
    Esperamos que você não desista e seja parte dessa mudança que queremos provocar no Rotaract!

    • Pedro Prochno disse:

      Regis, infelizmente meu tempo e esforço para esta mudança estão chegando ao fim…. Já briguei discuti bastante. Acho que consegui mudar e adaptar muitas coisas no próprio Aliança Lapa. Hoje nos reunimos menos, fazemos um projeto grande, temos um bom blog que nos trouxe 2 integrantes, o estatudo é maleável! A lição de casa foi feita! Cabe a cada clube refletir e promover esta mudança interna, assim mudamos o distrito e, quem sabe, minimamente, o país!

  6. Luciano almeida disse:

    E vc Pedro o que tem feito para se reinventado? Fora essa iniciativa de redigir esse texto? Sabe eu vejo que muitas pessoas faz do Rct uma empresa… Não acho isso legal… Eu estou preste a atingir a minha idade de Rct e já estou planejando a minha entrada ao Rotary… E faço o que eu acho valido e gosto como levar alegria…ajudar ao meu próximo…
    Dqs é muito difícil acredito que depois do protocolo seja o cargo mais difícil… Nossa como é complicado falar de Rct…Rotary para quem não conhece o Programa… O Pouco que sei aprendi muito com a amiga Juju (Juliana Martins) e a Cibele… Juju hoje que é Presidente de Rotary. De certa forma o programa esta se conquistado. Falo isso pq conheço pouco dos outros distritos…
    É isso…

    • Pedro Prochno disse:

      Lú, acho que a questão não é fazer do programa uma empresa, mas dar a ele a importância que queremos e também o que é demandado lá de fora. Não somos nós que fazemos rotaract apenas, temos tbm que orientar-se pelo que vem de lá!

      Para me reinventar, comecei com este blog, temos ótimos resultados. Diminuimos de 4 para 2 reuniões por mês, passamos a trabalhar mais com e-mails. Saimos de diversas ações e migramos para um projeto grande, sólido… isso tudo atraiu membros, como comprovamos com o crescimento GIGANTE que o Aliança Lapa teve pulando de 4 para 15 membros em apenas 3 anos.

      Em fim, acho que fizemos muito no Aliança Lapa, mas tem muito mais a se fazer no clube, no distrito e por aí vai 🙂

  7. Reinaldo de Oliveira Sant' Anna disse:

    Pedro, parabéns pelo pela postagem!
    Eu também não sou a favor de uma elitização e sim de uma popularização para atingir o objetivo: “Promover a paz mundial por meio da integração entre povos”, pois quão mais conhecida for a instituição e mais divulgado seus resultados obtidos em favor da sociedade, mais recursos e esforços serão agregados à causa. A engrenagem não pode parar.

  8. Reinaldo de Oliveira Sant' Anna disse:

    Errata: Pedro, parabéns pela postagem!

  9. Fernanda Ucha disse:

    Pedro, ficou demais. Parabéns, mesmo!

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